...da forma mais inesperada...

Sábado, 28 de Novembro de 2009

Ontem, pela primeira vez desde há muito tempo, olhei me ao espelho com olhos de ver e não reconheci a mulher que vi: magra, pálida e com umas olheiras que parecia ter sido desenterrada a 100 metros de profundidade. Uma múmia teria certamente melhor aspecto...Não vi o brilho dos meus olhos, a garra e força de outrora. Olhei me ao espelho e vi o meu outro lado: uma mulher frágil, derrotada. Sem brio, sem forças a fazer a vida mecânicamente, ligada em piloto automático. " Esta não posso ser eu!!!"

 

Não reconheci a mulher alegre e optimista, com sentido de humor e que acredita nas inumeras possibilidades da vida. Procurei e não encontrei vestígios da força de vontade que me caracteriza, que me faz seguir em frente e nunca deixar as coisas pela metade. Olhei me ao espelho, vi a minha sombra.

 

Pensei.Pensei muito. E ralhei comigo própria:

"-Como é que uma mulher como tu, com a vida toda pela frente, sem compromissos e preocupações de maior, solteira, maior e vacinada, a saber exactamente o que quer da vida, se deixou chegar a este estado?!!! Adiantam as preocupaçoes? Adianta pensares nas necessidades das outras pessoas antes de pensares nas tuas primeiro? Não.Adiantam as rugas provocadas pelas noites mal dormidas a pensar na morte da bezerra, do borrego e do burro? Não.  Lágrimas e maus humores resolvem alguma coisa para além de te deixarem com cara de poucos amigos e mal encarada? Então, se respondeste "não" á maior parte das perguntas,esta na hora de te pores fina, jovem,  e fazeres-te á vida que apenas estás a perder o teu tempo, juventude e beleza."

 

E tomei uma resolução: CHEGA!!!  Basta de lamúrias, de penas e de outros sentimentos mesquinhos.Já tive o meu momento de fragilidade e cansaço. Olhei para as minhas feridas e sei exactamente onde me dói. Ficar parada a olhar para elas não as vai curar. Já chorei tudo o que tinha a chorar, inventei lágrimas que já não tinha. Sinto me mais leve. Agora quero erger a cabeça e seguir novamente em frente. Como a fénix, renascida das cinzas. Renovada, reestabelecida e com horizontes novos.

 

No entanto, neste tempo que se passou, sei que algo se quebrou dentro de mim. Partiu-se e quando se partiu, doeu me. Vou voltar a consertar e a colar os pedaços, mas sei que não será a mesma coisa. Algo mudou em mim e sei que deixei qualquer coisa para trás. Voltei a construir a muralha que a tanto custo estava a conseguir derrubar. Para me dar, para aceitar, para querer. Construi a porque já estive exposta e vulneravel muito tempo e não quero ficar mais assim. Porque protegida pelas minhas muralhas , sei exactamente até onde posso ir sem me magoar, sem esperar nada em troca, porque nada arrisco, É egoista, eu sei...mas quero ser egoísta por uns tempos.

 

Hoje arranjei me para jantar fora. Com tudo a que tinha direito: roupas, perfume, maquilhagem, adereços a condizer... Pela primeira desde há muito tempo, olhei me ao espelho. Sorri .Gostei muito do que vi: " Esta sim!!! Sou eu..."

 

Pegei nas armas outra vez e vou começar tudo outra vez. Com horizontes novos limpos.

publicado por Carlita às 17:17
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