...da forma mais inesperada...

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Quando a morte nos toca de perto, é impossível fingir indiferença. É inevitavel não nos sentirmos atingidos, corroídos, angustiados quando dentro de nós se afirma a certeza de que a morte é realmente a única constante imutavel nesta vida.

 

É só quando a sombra da morte ensombra a nossa existência, que parecemos acordar para uma realidade diferente, paralela, á qual muitas vezes não temos acesso ou que facilmente nos esquecemos que existe. Falo do "ser" em vez do "ter"; falo do "dar" em vez de "receber"; falo do darmos realmente valor ás pequenas coisas "insignificantes" da vida, dadas tantas vezes como certas; falo da mesquinhez humana numa constante preocupação pela sobrevivência material, da eterna e constante luta por um lugar ao sol em detrimento da busca pelo aperfeiçoamento das relações humanas.

 

Quantas vezes dissemos a alguém que realmente nos é querido "gosto de ti, és importante para mim. Obrigado por fazeres parte da minha vida, porque tu fazes diferença"? Quantas vezes o nosso orgulho próprio nos faz calar e nos impede de dizer a alguém o quão importante é para nós? Damos a existência dessas pessoas como uma garantia, uma dado absolutamente inquestionavel, ao qual já nos habituamos e adaptamos. Mas e se de repente nos faltassem? E se de repente esse estado de permanência constante nas nossas vidas fosse ameaçado? O que mudariamos? E como o mudariamos?

 

Viver numa constante luta diária não é viver... é sobreviver! Sobreviver aos perigos, aos riscos, ás desilusões, ao fracasso. Sobreviver a nós mesmos quando emerge a em nós a consciência, sobreviver aos outros quando estes nos atingem. Vivemos obcecados e estupidamente cegos num mundo racional, desprovidos de qualquer sentido da vida. Para quê a luta constante em ser o melhor, em ter mais de tudo,em receber mais de todos? Porque não nos  contentamos com o que temos, sempre em busca de uma ambiciosa e vertiginosa escalada para o sucesso, se ao nascer e ao morrer todos somos iguais? De que valeram as horas extraordinárias no trabalho, de que valeram os bens, as casas, os carros na garagem, as discussões futeis com os amigos, as palavras que magoaram? Dos vestigios que ficaram na nossa breve passagem pela vida, quantos permanecem verdadeiros e inalteraveis ao longo do tempo? E através dos quais seremos lembrados?

 

Por isso, hoje levantei me e espreguiçei me á janela. E enquanto sentia o sol a aquecer me, pela primeira vez desde ha muito tempo, agradeci por estar viva. Por poder sentir o calor matinal do sol, por poder deslumbrar me com as cores e sons do mundo,por saber que há riscos que quero correr só pelo prazer de os vencer, por ter a certeza que em cada dia há sempre uma oportunidade de mudança e que cada novo amanhecer é uma dádiva, um PRESENTE que sempre devemos viver com plenitude.

 

Mas é só quando a morte nos toca de perto, é que nos apercebemos da futilidade das nossas existências e do quão frageis são os laços que sustentam uma vida humana.

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publicado por Carlita às 14:30
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